terça-feira, 30 de abril de 2013

Imagine uma mulher sozinha na cozinha, comendo descontroladamente um balde de gelado, seguido de seis fatias de pizza fria, um pacote de bolachas e meia dúzia de donuts. Porque fará ela tal coisa? Porque tem andado a fazer uma dieta severa, baixa em gorduras, e simplesmente já não aguenta a privação? Porque odeia o «falhanço» de não ser capaz de ter o corpo «perfeito» e de não ser «perfeita» em dezenas de outras coisas, e está inconscientemente a punir-se com a comida? Porque começou a ter um sentimento que lhe parece inaceitável e, sem saber porquê, começou imediatamente a comer enormes quantidades para ficar entorpecida? A reposta, conforme provavelmente já suspeitou, é tudo isso. As questões pessoais que se exprimem através da compulsão alimentar – ou aquilo a que eu chamo alimentação emocional – geralmente nada têm a ver com comida. A comida é apenas a substância de eleição que as pessoas usam nesse momento para afogar, reprimir ou evitar os seus sentimentos. Tudo isso significa que a alternativa ao ciclo de auto punição e autodestruição da compulsão alimentar não consiste em mais uma dieta. A quarta lei do universo é que, para cada dieta, há uma compulsão oposta e igual. Além disso a dieta é inútil. Só 5% das pessoas que perdem peso com dietas conseguem depois manter o peso. Uma resposta para a compulsão alimentar é lidar com as questões emocionais subjacentes aprendendo a ser mais gentil consigo mesmo. Os remédios alternativos podem ajudar a fazer isso precisamente. COMER SEM COMPULSÃO: Siga Estas Sete Linhas de Orientação. Pode começar a descobrir os sentimentos pessoais e crenças acerca de si mesmo que o levaram à compulsão alimentar, se seguir algumas linhas de orientação quanto a alimentação. Tudo aquilo em que acredita acerca da comida, acredita também acerca de si mesmo e da sua vida. Siga as seguintes linhas de orientação como uma excelente maneira de começar a descobrir quem é de se aceitar e de começar a compreender e ultrapassar os padrões autodestrutivos da compulsão alimentar. Coma apenas quando tem fome. Coma sentado num ambiente calmo (isto não inclui o carro). Coma sem distracções incluindo rádio, televisão, jornais, livros, conversas intensas ou provocadoras de ansiedade e música. Coma apenas o que lhe apetece. Coma até ficar satisfeito. Coma como se estivesse exposto ao olhar de toda a gente. Coma com prazer e desfrutando plenamente. MEDITAÇÃO: Faça a sua Presença Ser Notada. Todos nós andamos por aí à procura de qualquer coisa esquiva e sem encontrarmos aquela coisa que nos poderia saciar. Todos os dias, a cada momento, passamos as nossas vidas a pensar no que já dizemos ou no que vamos fazer, e esquecemos completamente o que estamos a fazer. Isto pode levar a uma fome tremenda, que poderá tentar saciar através da compulsão alimentar. Ao concentrar toda a tenção no que quer que esteja a fazer, porém – estando presente – satisfará essa fome. Durante cinco minutos por dia, concentre toda a sua atenção no que quer que esteja a fazer. Caminhe enquanto caminha. Fale enquanto fala. Coma enquanto come. Sugere-se um exercício de presença específico como meditação diária para os que sofrem do distúrbio de compulsão alimentar. Faça-o de manhã, na cama, antes de se levantar. Comece por concentrar a atenção nas sensações que surgem no arco de pé direito. Depois, como se estivesse a apertar um tubo de pasta de dentes, desloque a atenção ao longo da perna até ao joelho. Avance da mesma forma até à anca direita, depois pelo braço direito, da mão até ao ombro. Quando chegar ao ombro, passe para o ombro esquerdo, desça para a mão, e depois da anca até ao pé esquerdo. Durante o dia, sempre que se lembrar, sinta os seus braços e pernas de novo. A presença permite-lhe ver que este corpo, o seu lar, o lugar que passou anos a tentar alterar, é um sítio muito agradável para se estar. CHOCOLATE: Sinta o Sabor. Um dos melhores exercícios de presença é levar sempre uma tabletes de chocolate consigo e comer um (e apenas um) quadradinho após cada refeição. Este será um pedaço de chocolate que irá realmente saborear. Quando se come um pedaço de chocolate com presença, pode ficar surpreendido com o que acontece. Poderá descobrir que nem sequer gosta do sabor, que é demasiado doce, ou que um pedaço é realmente o suficiente e que se sente satisfeito depois disso. Muitas coisas positivas podem ocorrer quando você está realmente presente enquanto come, quando não está a pensar noutra coisa qualquer enquanto come chocolate ou quando não está a comê-lo apenas como prelúdio para as próximas seis tabletes, ou quando não se sente culpado por estar a comê-lo. Poderá perceber que pode desfrutar de uma pequena quantidade de alimentos tipicamente proibidos sem que isso desencadeie um episódio compulsivo. Poderá ver que consegue realmente perceber quando é um tem fome e quando é que está realmente saciada. E poderá aprender a confiar em si mesma para seguir as linhas de orientação que a ajudarão a ir para além do ciclo auto destrutivo da compulsão alimentar. VISUALIZAÇÃO: Desista das suas Crenças pouco Saudáveis. As auto-imagens negativas que podem levar a episódios de compulsão são muitas vezes resultado de crenças negativas que aprendeu na infância ou na adolescência, geralmente por ouvir os seus pais ou pessoas importantes da sua vida a criticarem-na. As crenças e atitudes comuns entre as pessoas com distúrbio de compulsão alimentar incluem: Tenho de ser perfeita ou não serei ninguém; Tenho de agradar a toda a gente a toda a hora; As necessidades dos outros são mais importantes que as minhas; Preciso de ser magra para ser feliz; Ninguém gostará de mim nem quererá se for gorda; Sou uma pessoa fraca; Não mereço coisas boas. Pode libertar-se destas crenças negativas devolvendo-as à pessoa de quem as recebeu. Faça-o com o seguinte exercício de visualização (imagem mental) em três partes. 1. Sente-se ou fique de pé numa posição confortável e imagine que está rodeada de luz branca. Pense na crença que já não deseja manter. Feche os olhos e visualize a pessoa que lhe transmitiu essa crença à sua frente. 2. Ponhas as mãos em concha, como se fosse apanhar água de um ribeiro para beber. Coloque as mãos em concha atrás das costas, à altura da cintura, com a parte côncava virada para as costas. Passe as mãos pelo corpo como se estivesse a recolher qualquer coisa da cintura. Estará a reunir a energia agarrada às crenças que estão ligadas a si. Quando passar as mãos para a frente do seu corpo, terá nas mãos em concha a crença, simbolicamente aprisionada. 3. Com os olhos fechados, visualize a pessoa a quem está a devolver a crença. Diga «devolvo-te», empurrando as mãos em concha para fora e em direcção `pessoa, como se estivesse a libertar uma ave. Repita isto cinco vezes ou seis vezes. Dado que a visualização só demora alguns segundos, pode fazê-la muitas vezes por dia.